A melhor forma de descrever é que a experiência de cessação parece deixar um entendimento visceral de que o senso de "eu" não é essencial para a sobrevivência. É o insight de que aquilo que precisava ser defendido 24 horas por dia não precisa de defesa. Novamente, é algo não verbal, então as palavras são aproximações. E, ao refletir, você percebe que esse insight não teria vindo sem as práticas que o antecederam — portanto, você deixa de acreditar que ritos e rituais são a resposta.
Quaisquer sentimentos que acompanhem o evento durarão por um tempo e depois desaparecerão; o insight permanece. Mas o ponto é: a entrada na corrente é um grande evento, mas é também o portal para outros insights mais profundos. O insight não é final. Há muito mais terreno a percorrer, e é por isso que a motivação para praticar mais continua presente.
Sim, uma explicação para pessoas que parecem exibir os sinais de entrada na corrente, mas não relatam uma cessação, é que elas experimentaram a cessação, mas não a reconheceram. Mas, obviamente, isso é impossível de testar, então quem sabe?
É por isso que diagnosticar a entrada na corrente tem menos a ver com o evento em si e mais com os eventos que levam a ele. Se uma pessoa passou pelo progresso do insight, dedicou bastante tempo à equanimidade, observou as formações e então teve um evento de "não saber" (unknowing) — as chances são de que seja SE/cessação. Se a pessoa passou pelos estágios, esteve em equanimidade, teve consciência das formações e depois passa a vivenciar a vida de forma muito diferente, sentindo que algo essencial mudou, há uma boa chance de ser SE, mesmo sem a consciência de uma cessação. Se alguém teve outros eventos levando à "grande mudança", provavelmente não é SE. Entende o que quero dizer?
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