Uma das piores coisas que pode acontecer em qualquer tipo de treino, não só na meditação, é um começo fácil. São os artistas que ganham a primeira exposição, músicos cuja primeira gravação estoura, pessoas naturalmente fortes que já levantam muito peso de cara — são essas pessoas que precisam superar o apego a vencer, à popularidade, ou a confiar em talento natural — precisam aprender o que significa simplesmente fazer sua arte/música/treino. De modo parecido, pessoas que “escorregam” para a entrada na correnteza cedo e com facilidade muitas vezes ficam ingênuas e sobrecarregadas pelas dificuldades mais adiante no caminho, e isso pode virar um desastre. No fundo, a coisa que a gente quer e precisa — percebendo ou não — é uma base de sanidade básica que sustente a vida inteira. A meditação ajuda a criar isso se for vista do jeito certo; mas, se for vista do jeito errado, pode criar mais apego, mais evitação e mais bypass espiritual. Também é bem difícil, eu acho, chegar à entrada na cor...
Entrada na Correnteza é só transformar uma curiosidade ao estilo vipassana e um relaxamento ao estilo jhana em um novo hábito base.
Entrada na Corrente não é sobre fazer nada sofisticado; é só tornar a curiosidade tipo vipassana e o relaxamento tipo jhana um novo hábito de base… e quando você consegue descansar na equanimidade sem luta, quando você consegue deixar pensamentos virem e irem sem luta, quando você consegue estar em retiro sem luta, quando você basicamente consegue praticar sem “praticar”, quando você sabe que é completamente inútil tentar prever o que vai acontecer porque ninguém consegue prever o que acontece… então você está num bom lugar. Fique por ali e se pergunte sobre a natureza da mente que sabe tudo isso. Na dúvida, perceba o que você está vivenciando e descanse nessa vivência — até mesmo na vivência do próprio “não saber”.