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Quando você está “de molho” no jhana, o que ainda permanece não-jhânico?

O que eu achei útil quando eu tinha bom acesso aos jhanas foi me permitir “cozinhar” neles e então, com suavidade, perceber se ainda existe alguma resistência residual, tensão, má vontade, evitação, etc. Isso é uma forma bem leve de vipassana, combinada com realmente permitir que concentração/centralização/jhana aconteça. O viés fica mais para o lado do jhana.

Esse tipo de abordagem não fica preso ao significado ou ao drama dos proto-pensamentos e proto-emoções residuais que ainda “flutuam” enquanto se está em jhana; em vez disso, ela só percebe a “tonalidade” de como alguma parte da mente ainda tem uma orientação mesmo no meio de jhanas bem “duros”. Ainda há algo percebendo, acompanhando ou monitorando o que está acontecendo. Isso é um experienciador alegre e participativo? Ou o experienciador sente algum tipo de insatisfação/má vontade em relação ao que está acontecendo?

O que eu estou descrevendo são jhanas relativamente fortes e uma sensação relativamente fraca de ser um experienciador. Não estou falando de prática normal de anotação discursiva. O estilo de prática de que estou falando é quase todo uma percepção no nível de proto-pensamentos e proto-emoções — aqueles pequenos lampejos, “meio pensamentos” e “meio sensações”, que coexistem com estar centrado/concentrado/em jhana.

O que isso costuma fazer é nos ensinar a reduzir ainda mais a intensidade do observador, do julgador, do avaliador, do preditor, do antecipador, etc. Outra forma de dizer é que “o concebedor” enfraquece e o Eu fica um e o mesmo que a percepção. A conceitualização é largada e vira apenas perceber… e isso nos leva mais perto da “conformidade” que precede a cessação.

A parte difícil é que não queremos entrar na dinâmica de tentar fazer algo sumir — isso é esforço demais. A sensação é mais como “reduzir o esforço”, “relaxar o volume”, “aliviar a má vontade”, ou “participar mais plenamente daquilo que estamos meio resistindo”. Uma gentileza muito, muito respeitosa.

Para mim, parece que você está num bom ponto para testar esse tipo de coisa. Em geral isso significa deixar o jhana acontecer quando ele acontecer (não resistir, não se entregar à dúvida do tipo “eu deveria estar fazendo prática de anotação” nem nada assim; só entrar no jhana). Depois, realmente “embeber-se” no jhana colocando a mente onde a “jhanicidade” aparece e ficando ali. Permitir que isso cresça, cresça e impregne outras partes da mente/corpo.

Só depois de estar bem estabelecido, perguntar: o que ainda permanece não-jhânico? onde está o residual?

Muitas vezes isso aponta para o próprio impulso de pensar/conceber. Pode ter uma sensação meio “cachorro correndo atrás do próprio rabo”, como se você estivesse procurando aquilo que está procurando, ou pensando sobre aquilo que está pensando… sem problema, totalmente normal! Mas aí não desista nem se entregue: apenas continue baixando e baixando a intensidade do impulso de olhar/pensar, “sentindo” isso com cada vez menos esforço.

Pode haver bastante deleite nesses estados sutis. Eles também podem parecer um pouco estranhos/assustadores. Curta o deleite — é divertido! E, com suavidade, perceba: “por que isso é estranho? onde está o estranho?”

Isso deve ter um ar de você estar subindo para o “fluxo de pensamentos” ou o “fluxo de conceber” e chegando mais perto de onde tudo isso vem.

Nem toda sentada vai ser jhânica ou ficar tão sutil; então também precisa de uma certa maturidade para deixar as sentadas fazerem o que elas precisam fazer. Eu chutaria que talvez só umas 1 em cada 3 sentadas leve você para esse reino sutil de “fluxo de pensamento” e “tensão sutil”… e tudo bem, isso já é suficiente.

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